quinta-feira, 30 de julho de 2009

Vitor Baptista

Nome: Vítor Baptista
Posição: Avançado
Alcunhas: O Maior / O Rapaz do Brinco / O Gargantas / O Rapaz dos Pés de Ouro / Meu Deus
Nasceu em Setúbal a 18 de Outubro de 1948 e faleceu a 1 de Janeiro de 1999.

'O Maior'

Chamaram-lhe muitas coisas. ‘O rapaz do brinco’. Génio. Louco. Nos tempos de Vitória, dois colegas deram com ele frente a um espelho, durante um estágio, a falar para a própria imagem: "Ó meu Deus, porque me fizeste tão belo?" A alcunha ficou, ‘Meu Deus’. Devido a uma certa fanfarronice, também lhe chamavam ‘Gargantas’. Mas para si mesmo era apenas ‘O Maior’. E isso resumia a sua vida. O maior, para o Bem e para o Mal.
Nasceu em Setúbal e no Vitória iniciou-se no futebol aos 13 anos, quando já trabalhava como electricista. No percurso juvenil desenvolveu qualidades acima da média e aos 18 anos o seleccionador José Maria Pedroto chamou-o à selecção de juniores. Estávamos em 1967, ano de outra estreia, na equipa sénior do Vitória, contra o Leixões, em jogo da Taça de Portugal. Era ainda júnior e do clube recebia em géneros: refeições pagas na Pensão Vitória.
A emergência de um talento que não tardaria a ser cobiçado obrigou os dirigentes a oferecer-lhe contrato profissional. 'Dois contos e quinhentos por mês', recorda Fernando Tomé, antiga glória do futebol sadino e o melhor amigo de Vítor Baptista nesses tempos. 'Tratávamo-nos por ‘irmão’. Houve um jornalista que um dia até nos chamou ‘irmãos siameses’.' Tomé relembra o Vítor Baptista desses tempos como 'um menino grande'. 'Para ele, a vida era uma brincadeira, um grande jogo. Tinha coração de ouro, dava a camisa pelos amigos, mas não levava as coisas a sério. Isso haveria de ser-lhe fatal.'
Após avançar do meio-campo para o ataque, Vítor Baptista marcou 33 golos pelo V. Setúbal em duas épocas. Era o jogador mais cobiçado do futebol português, com o passe avaliado em 6 mil contos. Uma fortuna em 1971. O Vitória fazia tudo para segurar a pérola mas era impossível. Surgem notícias de conversações com o Sporting, e isso bastou para o Benfica ‘perder a cabeça’: ofereceu uma das suas estrelas de sempre, José Torres, juntou-lhe dois jogadores de bom potencial, Matine e Praia, acrescentou 3 mil contos – e ganhou a corrida.
Na Luz, Vítor Baptista viria a conquistar cinco títulos de campeão nacional. Jogava na Selecção, ganhava bom dinheiro – e fazia todos os dias a viagem entre Setúbal e Lisboa no seu fantástico Jaguar 4.2, um ícone automobilístico da época. Estava no topo.
Sem que se saiba muito bem quando e onde, Vítor Baptista iniciou então uma descida vertiginosa ao Inferno. Enquanto o corpo aguentou, conciliou futebol e vícios. Voltou ao Vitória, jogou no Boavista, andou por divisões secundárias – e acabou perdido nos distritais. Onde já só recebia uma sandes como ‘ordenado’. Para alimentar a dependência da droga e do álcool, começou a roubar. Foi condenado e esteve preso. Mãos amigas tentaram ajudá-lo mas já era demasiado tarde. Morreu com 50 anos.


UMA VIDA DIFERENTE
O isqueiro de Pedroto: Ao serviço do Vitória, Vítor Baptista teve uma tarde de glória nas Antas. Ao intervalo do jogo com o FC Porto, Pedroto, treinador sadino, acendeu um cigarro com um isqueiro de ouro que Vitor Baptista cobiçou. O técnico promete-lhe a preciosidade se ele marcar dois golos. Ele marcou mesmo e ao segundo correu para o banco a reivindicar o prémio.

Motorista com boné: Vítor Baptista mudou-se para o Benfica mas continuou a morar em Setúbal. Comprou um Jaguar e nos primeiros tempos arranjou um motorista para o conduzir aos treinos. Um motorista com boné.

O brinco: A história do brinco é incontornável. Perdeu-o num dérbi após marcar o golo do Benfica que deu a vitória sobre o Sporting. Nunca o encontrou e no final do jogo queixou-se: 'Perco dinheiro a trabalhar. O brinco valia 12 contos e o prémio de jogo são só 8.'

O ‘Maior’: Em Outubro de 1976, Vítor Baptista renova pelo Benfica. Dá então uma entrevista ao jornal ‘A Bola’ que faz história. A uma pergunta do jornalista Joaquim Rita, responde: 'Sou o melhor jogador português. Há outros bons, como o Chalana, mas eu sou o melhor.' Nascia uma lenda.

Rebelde: O episódio ficou conhecido como ‘o caso de Chipre’. Antes de um jogo entre selecções, Vítor Baptista chegou atrasado a um treino. Após a chamada de atenção, insulta Juca, o seleccionador. Chama 'malucos' aos colegas. Nunca mais jogou na Selecção.

Adeus à Luz: Em 1977, sai do Benfica porque exige 650 contos mensais. O clube dá 450 e um Porsche Carrera. Recusa e regressa a Setúbal, por 100 contos/mês. Já no Boavista, ‘vinga-se’ com um golo na vitória por 2-1, na Luz.


Carreira futebolística
1985/86 - Estrelas Faralhão
1984/85 - Estrelas Faralhão
1983/84 - Monte da Caparica
1982/83 - U. Tomar
1981/82 - Montijo (Jogador-Treinador)
1980/81 - Amora - 4 Jogos
1980 - San Jose Earthquakes - 2 Jogos
1979/80 - Boavista - 15 Jogos / 8 Golos
1978/79 - Vitória - 18 Jogos / 7 Golos
1977/78 - Benfica - 15 Jogos / 8 Golos
1976/77 - Benfica - 6 Jogos / 6 Golos
1975/76 - Benfica - 16 Jogos / 9 Golos
1974/75 - Benfica - 23 Jogos / 3 Golos
1973/74 - Benfica - 21 Jogos / 9 Golos
1972/73 - Benfica - 14 Jogos / 6 Golos
1971/72 - Benfica - 17 Jogos / 9 Golos
1970/71 - Vitória - 26 Jogos / 22 Golos; 4 jogos e 3 golos na Taça de Portugal; 8 jogos e 5 golos na Taça Uefa
1969/70 - Vitória - 22 Jogos / 11 Golos; 2 jogos e 2 golos na Taça de Portugal; 3 jogos na Taça Uefa
1968/69 - Vitória - 17 Jogos; 2 jogos e 1 golo na Taça de Portugal; 6 jogos e 1 golo na Taça Uefa
1967/68 - Vitória - 11 Jogos; 4 jogos na Taça de Portugal; 1 jogo na Taça dos Vencedores das Taças
1966/67 - Vitória - 0 Jogos no campeonato; 4 jogos na Taça de Portugal
Escalões de Formação do Vitória de 1963/64 a 1965/66

Total no Vitória: 128 jogos pelo Vitória (94 jogos na 1ª Divisão; 16 jogos na Taça de Portugal; 17 jogos na Taça Uefa e 1 na Taça dos Vencedores das Taças).
52 golos pelo Vitória (40 golos na 1ª Divisão; 6 golos na Taça de Portugal e 6 golos na Taça Uefa).

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